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hame-se cão-guia o cachorro que é treinado para ser os olhos de pessoas com deficiência visual. Essa função exige bastante atenção e cuidado por parte desses animais. Esses cães são verdadeiros heróis em prol da inclusão. E por isso, toda última quarta-feira de abril, é comemorado o Dia Internacional do Cão-Guia.

Importância do cão-guia

De acordo com a Federação Internacional de Cães-Guia, tudo começou por volta de 1780, no hospital para deficiência visual Les Quinze-Vingts, em Paris. Entretanto, foi na época da Primeira Guerra Mundial (1916) que foi fundada a primeira escola exclusiva para a formação de cão-guia, para auxiliar os muitos soldados que ficaram cegos.

No Brasil, com uma população de mais de 213 milhões de pessoas, existem mais de 7 milhões com deficiência visual, sendo cerca de 580 mil cegas e mais de 6,5 milhões com baixa visão, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em comparação, existem cerca de 200 cães-guias. 

Isso significa que muitos deficientes visuais dependem de outras pessoas ou de apenas bengalas ou as próprias mãos para desafiar as barreiras de acessibilidade, em calçadas cheias de desníveis, buracos, placas, rampas inadequadas, automóveis parados em lugares proibidos etc.

Mais do que um companheiro, o cão-guia se torna os olhos do tutor. Ele vai auxiliar na travessia da rua, alertar e ajudar nas tarefas cotidianas. Esses cães conseguem melhorar a saúde emocional, facilita a socialização, traz segurança para o deficiente. A autoestima é melhorada.

Tem raça específica?

Mais do que raça, se procura cães com temperamento calmo, que seja amigável e que saiba seguir ordens. As raças mais comuns são:

  • Labrador, 
  • Golden Retriever, 
  • Pastor Alemão,
  • Border Collie.

As raças podem mudar entre os países e as raças mais comuns da região.

Como conseguir um cão-guia? 

Não é qualquer cão que vira cão-guia. Para isso, é preciso passar por um adestramento que exige tempo (1-2 anos), mão de obra qualificada, paciência e insistência, afinal o cão não pode se distrair com cheiros, pessoas, sons e outros animais, além de obedecer bem os comandos. Esse processo custa em média R$30-35 mil.

No Brasil existem alguns institutos que fazem esses treinamentos para que sejam adotados pelas pessoas que precisam de seus serviços. Um exemplo é o Instituto Magnus que faz esse projeto desde 2015. Eles realizam uma triagem dos cães, observando se têm bom temperamento, se são saudáveis etc e depois realizam o adestramento.

Infelizmente a fila de espera é grande. Cerca de 400 pessoas. Para entrar na fila, é necessário preencher um formulário e os requisitos são: ser maior de 18 anos, ter independência de mobilidade, ter tempo e recursos financeiros para cuidar do cachorro.

A fila tenta seguir a ordem, porém o que vai realmente valer para a adoção é o chamado “match”, ou seja, o tutor se dar bem com o cão e vice-versa. Esse aspecto é muito importante, pois serão anos convivendo. É levado em consideração a rotina, temperamento e preferências tanto do humano quanto do cão. Por isso, durante 3-6 semanas os profissionais do instituto acompanham e observam se terá o “match”.

Após a adoção, o deficiente visual ficará durante 15 dias no instituto para receber as orientações para entender as mensagens que o cão-guia vai passar no cotidiano.

Cuidados com o cão-guia

  1. O cão-guia completo: os cães precisam passar por 3 etapas (concluídas dentro de 1 ano e meio a 2 anos):
  • Socialização → existem as “famílias socializadoras” que recebem os filhotes. Elas ajudam o cão a se acostumar com diversas situações do cotidiano, promovendo seu desenvolvimento e o acostumando à rotina, além de dar amor e carinho. Esse processo é feito durante mais ou menos 1 ano.
  • Treinamento → por mais ou menos 5 meses, o cão vai passar pelo treinamento, onde vão aprender a obedecer comandos, desviar de obstáculos etc.
  • Instrução → é feita com o tutor que vai receber o cão-guia (citada no tópico anterior).
  1. Ainda são cães: mesmo tendo uma função muito importante, os cães-guias precisam brincar, passear, descontrair e relaxar. Claro que tudo a seu tempo. Hora do serviço, tem que trabalhar.
  1. Se o cachorro não se adaptar: se o cachorro demonstrar desconforto ou irritação, ele não será doado como cão-guia, ele será redirecionado para outra atividade ou encaminhado para viver como cão de companhia. O bem-estar é o mais importante.
  1. Não toque no cachorro: durante o trabalho, o cão-guia não pode ser distraído, portanto não faça carinho ou o chame.
  1. Não ofereça comida: o ideal é que somente o tutor dê a comida que o cachorro já está acostumado a comer.
  1. Converse com o tutor: para qualquer tipo de situação (alertar, até mexer no cão-guia) deve ser comunicado primeiramente ao tutor.

Informações importantes

  • Pela Lei nº 11.126/2005, que é regulamentada pelo Decreto Federal nº 5.904/2006, os cães-guias podem frequentar todos os estabelecimentos, inclusive meios de transporte acompanhados de seus tutores.
  • O cão-guia começa a atuar com 1 ano e meio ou 2 anos e trabalha de 7-9 anos (alguns chegam a 11 anos de serviço).
  • Os cães-guias se aposentam e podem ficar com a família que serviu como cão-guia ou com algum familiar próximo se não for possível ficar com a primeira família.

 

Os cães-guias são incríveis, não é?! É por isso que precisamos cuidar muito bem da saúde deles. 

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Postado em
April 27, 2022
na categoria
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