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doença do trato urinário inferior dos felinos (DTUIF) é um conjunto de patologias que afetam bexiga e uretra dos gatos. A DTUIF é consequência de anormalidades anatômicas, cálculos urinários, infecções bacterianas/fúngicas/parasitárias, porém, na maioria das vezes, não é identificada a causa, sendo classificada como cistite idiopática/intersticial ou síndrome urológica felina.


Entendendo a DTUIF


A transmissão da DTUIF pode ser de forma idiopática (espontânea e sem origem conhecida) e congênita (presente desde o nascimento). As raças Persa e Himalaio possuem predisposição genética. Essa doença pode ocorrer em gatos de qualquer idade, sem distinção de sexo. Entretanto é mais comum diagnosticar esse problema em gatos: 

  • Machos,
  • Castrados,
  • Sedentários,
  • Obesos,
  • Entre 1-10 anos de idade (mais comum entre 2-6 anos de idade),
  • Comem apenas ração seca,
  • Bebem pouca água.


A DTUIF possui duas categorias em que ocorre:

  • Obstrutiva: acomete principalmente machos castrados.
  • Não obstrutiva: acomete principalmente fêmeas e machos, sendo os castrados mais predispostos.


As causas dessa doença são diversos, sendo as principais:

  1. Alterações anatômicas → divertículo da bexiga, persistência do úraco etc.
  2. Cistite idiopática → é a maior responsável pelos casos de DTUIF; é uma inflamação com origem neurogênica, tendo envolvimento endócrino. Todas as alterações neuroendócrinas vão causar dor, edema, contração muscular, alta resposta a estímulos estressores. O diagnóstico se dá apenas por exclusão de outros problemas. A maioria das cistites idiopáticas é auto-limitante e aguda, ou seja, acontece de forma abrupta e rápida, mas o gato se recupera sozinho (5-10 dias)
  3. Estresse → disputa por território, novos animais na casa, confinamento, mudança de ambiente, viagens, mudança de rotina, superpopulação etc.
  4. Infecções bacterianas → pouco frequente em gatos devido ao pH ácido, alta densidade e alta concentração de uréia. Ocorre mais em gatos diabéticos, nefropatas, hipertiroideus, que usam corticoides e tiveram sondagem uretral.
  5. Neoplasias → muito raras em gatos, mas os que podem ocorrer são, principalmente: carcinoma de células de transição, tumores de origem epitelial, pólipos e linfomas.
  6. Obstrução renal → pode ser mecânica (tampões uretrais, urólitos, coágulos e neoplasias), anatômica (estenoses, neoplasias e lesões prostáticas), funcional (espasmo uretral, e traumas medulares).
  7. Urolitíase → é a segunda causa mais comum da DTUIF, ocorre quando cálculos ou urólitos são formados. Os principais tipos são: oxalato de cálcio e estruvita (fosfato amônio magnesiano). As raças Persa e Ragdolls têm predisposição para desenvolver urolitíase de oxalato de cálcio.


O que meu gato vai apresentar?


Os principais sinais clínicos e sintomas que os gatos podem apresentar devido a DTUIF são:

  • Agressividade
  • Alterações comportamentais
  • Disúria (dor ao urinar)
  • Estrangúria (micção lenta)
  • Hematúria (sangue na urina)
  • Lambedura dos órgãos genitais
  • Letargia (cansaço, gato quieto etc)
  • Obstrução presente (distúrbios renais - azotemia, hidroeletrolíticos e ácido-base, até morte)
  • Periúria (urinar fora da caixa de areia)
  • Polaciúria (aumento da frequência de micção)
  • Vocalização excessiva


Diagnóstico


Como dito anteriormente, a DTUIF é, principalmente, idiopática, não é encontrada a causa inicial da doença, porém é possível realizar exames para conseguir direcionar o correto e adequado tratamento, entender o grau da doença e o prognóstico. São eles:

  • Anamnese bem feita;
  • Exame clínico;
  • Exame de sangue - hemograma, bioquímico (uréia, creatinina, cálcio, potássio, fósforo, glicose, proteínas totais etc), gasometria
  • Urinálise
  • Urocultura e antibiograma
  • Análise de sedimento urinário
  • Exame de imagem - raio-x (simples e/ou contrastado) e ultrassom abdominal
  • Eletrocardiograma (pelo aumento de cálcio, pode desenvolver arritmia)

Tratamento e Prevenção


O tipo de tratamento vai depender do que está causando a DTUIF, se é a primeira vez ou não, se existe obstrução ou não e dos sinais clínicos e sintomas. As intervenções relacionadas ao ambiente e alimentação podem ser utilizadas também como prevenção.


Quando o gato não está obstruído, o tratamento vai se basear em:

1) Manejo ambiental: 

  • enriquecimento ambiental (prateleiras, brinquedos, arranhadores, túneis etc);
  • manter caixas de areia sempre limpas;
  • o número de caixas de areia deve ser a quantidade de gatos e adicionar mais uma;
  • estimular atividade física;
  • alteração da dieta (oferecer alimentos úmidos, controle de minerais e pH urinário);
  • aumento da ingestão de água;
  • ter mais de uma vasilha de água e todas sempre limpas.

2) Pode ser necessária a reposição de glicosaminoglicanos (colabora na proteção da parede da bexiga), anti-inflamatórios e antibióticos. 


Uma observação sobre esse caso é que os gatos podem ser assintomáticos e se recuperar em até 10 dias sem nenhum tipo de intervenção.


Quando o gato está obstruído, o tratamento começa com hidratação e correção dos desequilíbrios eletrolíticos, ácido-base e de potássio no sangue, pela fluidoterapia. Pode ser realizada em seguida a cistocentese para que alivie o gato com bexiga cheia e pode usar a urina para exames. O próximo passo é a desobstrução, podendo ser por uma sonda, massagem uretral ou até cirurgicamente caso seja necessário. Se utilizar a sonda, é indicado que o gato fique com ela por 24-48 horas após a desobstrução, pois podem ocorrer recidivas. A cirurgia só será uma opção se os protocolos clínicos não forem suficientes.


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Postado em
March 14, 2022
na categoria
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