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ma das doenças gastrointestinais mais comuns em cães é a giárdia. Causada por um protozoário que se aloja nas células do intestino, é uma das principais causadoras de diarreia em cães, além de vários outros sintomas relacionados ao sistema digestório. Não só atinge cães, como gatos, aves e, até mesmo, os humanos. Aprender sobre essa doença é muito importante para que você e seu pet fiquem bem. É só continuar a leitura!

O que é giárdia?

A giárdia canina, também conhecida como giardíase, é uma parasitose causada pelo protozoário Giardia lamblia. Ele se instala no intestino, provocando várias lesões e, consequentemente, sintomas como diarreia, vômito e dores abdominais. 

O protozoário que causa a giárdia em cães pode habitar o intestino de cães assintomáticos e se torna um problema maior em filhotes, idosos e imunossuprimidos. A maior prevalência da doença é em filhotes com imunidade baixa, chegando a 50% dos casos. Em adultos saudáveis, a taxa gira entre 10 e 20%. 

Essas prevalências são altas e, apesar de a giárdia ser simples de tratar ou mesmo assintomática em muitos cachorros, ela não deve ser ignorada. O problema pode evoluir e causar problemas sérios à saúde do animal.

Giardíase em humanos?

A giardíase é considerada uma zoonose pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1979. Os cães são a principal fonte de contaminação, porém outros animais podem transmitir a doença para os seres humanos, como aves, por exemplo. 

Os humanos se contaminam principalmente por:

  • ingerir água contaminada e não potável 
  • ingerir comidas contaminadas
  • não limpar adequadamente os objetos dos cachorros
  • não higienizar as mãos após limpar xixi e cocô dos cães

Como diagnosticar a giardíase canina?

A suspeita vem com os sintomas, mas o diagnóstico definitivo só é feito pelo exame parasitológico, com a coleta das fezes do animal em três momentos diferentes. Essa coleta seriada é necessária porque os cistos não são liberados em todos os momentos e podem ser eliminados de uma forma que não é detectada no exame.

Outro jeito de detectar a Giardia lamblia é por meio dos exames de sangue PCR e sorologia, que conseguem detectar os anticorpos antigiardia.

Transmissão da giardíase

A transmissão ocorre quando o cão ingere os cistos do protozoário. O cisto é como um ovo e pode ser ingerido em alimentos, na água e até mesmo nas fezes de outros animais. Em geral, o cachorro entra em contato com essas fezes durante os passeios.

Ao entrar no organismo, os cistos da Giardia lamblia ficam no intestino delgado por aproximadamente 10 dias. Na ação de enzimas do pâncreas, eles se rompem e liberam uma segunda forma, chamada de trofozoíto, que irá se multiplicar no intestino, causando lesões. 

Após completar o ciclo de multiplicação, o trofozoíto volta para a forma de cisto e é eliminado nas fezes. Isso cria um novo ciclo de transmissão e contamina cachorros que fizerem a ingestão dessas fezes.

Como a maioria dos cachorros fazem passeios frequentes, entram facilmente em contato com locais contaminados com o protozoário. Mas não se engane pensando que, por não sair, seu pet nunca terá giardíase. Claro que a possibilidade é muito menor, mas cistos podem ficar nos seus sapatos, por exemplo.

Giárdia canina: sintomas e sinais clínicos

Ao se instalar no intestino, a giardíase causa sintomas variados no sistema digestório. Listamos abaixo os sinais mais comuns. Eles podem aparecer juntos ou isoladamente.

  • Diarreia líquida ou pastosa 
  • Diarreia fétida, com forte odor
  • Diarreia com sangue ou muco, muitas vezes com coloração esverdeada
  • Dificuldade de digestão e absorção de nutrientes
  • Dores abdominais
  • Falta de apetite
  • Gases
  • Lesão intestinal
  • Perda de peso
  • Prostração
  • Vômito

Se o cão já estiver mais debilitado ou se o início do tratamento demorar, a giardíase pode provocar desidratação severa e até mesmo morte.

Giardíase tem cura?

Sim, a giardíase tem cura. Em geral, a doença é tratada com antibiótico e antiprotozoário. O objetivo é eliminar por completo o protozoário do intestino. É possível ver a melhora do pet a partir de 5 dias do tratamento. O uso dos remédios precisa ser iniciado o quanto antes para que problemas mais sérios não ocorram devido a lesões nas células intestinais.

Além dos medicamentos, o cachorro pode precisar de hidratação mais intensa em casa ou na clínica, por via intravenosa e suplementos.

Durante o tratamento, os cistos podem ficar presos no pelo do cachorro. Por isso, é muito importante limpar o ambiente e manter a higiene do animal, além da limpeza de tudo o que ele usa e tem contato, como caminha, comedouro, bebedouro, panos e roupas.

É recomendado também fazer o exame em todos os animais da casa, mesmo nos que não apresentam sinais da doença. Eles podem ser portadores assintomáticos do protozoário.

Existe tratamento caseiro?

A resposta é não. Você pode usar alguns remédios caseiros para ajudar no controle de alguns sintomas, como chá de menta e gengibre para vômito ou água de arroz e aloe vera para diarreia, mas nada disso irá curar o seu pet. É necessária a intervenção médica, com prescrição do tratamento adequado.

Prevenção da giárdia em cães

Existe uma série de atitudes para proteger o pet e sua família humana, evitando adoecimento. Veja:

  • Controle de pulgas e carrapatos

O controle deve sempre estar em dia, pois esses parasitas podem baixar a imunidade do pet e deixar o organismo mais vulnerável à instalação e multiplicação da giárdia.

  • Passeios em segurança

O tutor deve evitar que o cachorro entre em contato com fezes de outros animais. Por isso, a importância de recolher as fezes do seu cão, evitando a contaminação de pets que passem pelo local.

  • Check-up periódico

Exames de sangue, fezes e urina de rotina servem para diagnosticar qualquer alteração logo no início, permitindo que o animal receba o tratamento no início e se recupere  mais rápido.

  • Limpeza do ambiente

Ambiente e acessórios do cachorro devem ser limpos periodicamente. O protozoário é muito resistente, podendo ficar muito tempo no local. Usar produtos à base de amônia quaternária é uma das melhores formas de eliminar a giárdia do ambiente.

  • Ração fora de perigo

Controlar os horários de alimentação evita que outros animais contaminem a ração. A exposição à luz solar e umidade também faz com que o alimento perca os nutrientes.

  • Água filtrada

Se você costuma dar água da torneira, verifique como está a caixa d’água. Ela pode não estar 100% fechada, e, caso pássaros doentes defequem, a água pode ficar contaminada. Então, sempre opte pela água filtrada.

  • Água limpa e fresca

A água deve estar sempre fresca, sendo trocada mais de uma vez ao dia.

  • Vacina em dia 

Existe uma vacina contra a giárdia. Ela não é obrigatória, mas pode ser aplicada se houver indicação do médico veterinário. O protocolo indica 2 doses, no intervalo de 21 dias, e o reforço anual de 1 dose. A vacinação pode começar a partir das 8 semanas de vida. Ela não protege 100%, mas evita sintomas graves e a contaminação do ambiente.

  • Vermifugação periódica

Cada animal precisa de doses e frequências específicas de vermifugação. Isso depende da necessidade e rotina do pet, devendo estar sempre em dia.

Para um conhecimento mais aprofundado sobre a giárdia canina, dê uma olhada nesses artigos e livros:

  • BERNABÉ, A.S. Prevalência de Parasitas Intestinais em Cães Domiciliados na Zona Oeste da Região Metropolitana de São Paulo. Revista UNILUS Ensino e Pesquisa. São Paulo. v. 12,n. 27,abr./jun.2015
  • SOUZA, M. C. et al. Adhere nce of Giardia lamblia Trophozoites to Inthuman intestinal cells. Clinical and Diagnostic Laboratory Immunology, Coimbra, v. 8, p. 258-265, 2000. 
  • WOLFE, M. S. Giardiasis. Clinical Veterinary Microbiology, p. 93-100, 1992

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Postado em
November 17, 2022
na categoria
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